Definição de acção humana: acontecimento que sucedeu graças à interferência consciente e voluntária de um agente.
O agente é o ser humano que produz a acção e é responsável por ela. Isto implica a liberdade e a vontade. A acção só é verdadeiramente humana quando procede da vontade livre.
Rede conceptual da acção humana (conjunto de elementos que se articulam dinamicamente e interagem uns sobre os outros).
AGENTE
Aquele que pratica a acção, é o elemento que dispondo de liberdade e vontade teria o poder de praticar gratuitamente as acções que quisesse. O conceito de agente só se compreende se o considerarmos nas relações que mantém com outros conceitos.
• A acção implica sempre um agente, que é designado, na rede conceptual, como o agente;
• É aquele que pode responder à questão:”porquê?”;
• É aquele que pratica a acção;
• O sujeito no interior do qual se encontram os motivos que podem esclarecer-nos quanto à intenção da acção;
• É aquele a quem se imputa (atribui) a acção.
Como afirma P. Ricouer, aparentemente simples, a atribuição de uma acção a um agente pode ser uma operação complexa quando estamos perante uma acção como os acontecimentos do “11 de Setembro”, uma vez que este tipos de acções é um entrelaçado de acções colectivas e individuais, precisamos saber distinguir o que é imputável (o que se pode atribuir) às pessoas e às circunstâncias ou o que podemos considerar acções ou acontecimentos. E ainda, como atribuir a cada uma das pessoas envolvidas na acção global a sua quota-parte de responsabilidade.
INTENÇÃO
A intenção é o que nos propomos realizar, ou seja, o que está no nosso intento fazer. Pode-se dizer que a *intenção traduz aquilo que o agente quer fazer, atingir ou obter. A intenção é, de certo modo, uma antecipação da acção. Acarreta consigo, de modo implícito, a escolha e planeamento da acção – concepção (consiste na representação de uma meta a atingir, de um objectivo a realizar) a ponderação dos meios possíveis de a concretizar e avaliação das consequências que dela podem advir – deliberação. Não existe também sem a decisão pois aquilo que o agente se propõe fazer é a determinação de uma entre várias hipóteses de actuação.
O agente actua sempre intencionalmente isto é, na intenção de … ou com a intenção de…isto significa que o agir humano é sempre intencional ou, por outras palavras, que o ser humano sabe sempre o que quer e porque quer. Há que saber os motivos para clarificar a acção.
*A intenção ajuda-nos a atribuir a acção a um agente. A intenção “leva a marca da pessoa”; consiste naquilo que o agente quer realizar; é aquilo para que a acção aponta, sendo resultado de uma decisão. A intenção responde à questão “Que fazes?”. A intenção implica um agente consciente.
MOTIVOS
Quando se pergunta a alguém:
-Porque fizeste isto?
A resposta obtida pode evidenciar o motivo. Nesse caso a intenção aproxima-se do motivo, sendo este a razão de agir.
Motivo: o que leva a agir. Responde ao porquê da acção. Todo o agir humano é guiado por motivos que o desencadeiam. O motivo possui dinamismo, é uma espécie de força ou tendência que leva o indivíduo, logo que as circunstâncias o permitam, a realizar o seu intento, que pode consistir na realização de actos ou na produção de qualquer coisa. Assim, o agente já não é simplesmente aquele que tem o poder de realizar gratuitamente uma acção, mas aquele que a pratica porque é movido por determinados motivos.
A intenção encontra o seu porquê nos motivos. Os motivos são uma forma de interpretar a acção, dar uma razão de, uma explicação, interpretar a acção tornando-a inteligível para os outros e para mim.
Nota: os motivos não são explicados, mas sim, interpretados ou compreendidos, a partir da intenção que atribuímos ao sujeito que age.
DECISÃO
A decisão implica uma relação à intenção (“eu quero isto”), ao agente e seu projecto de vida (“eu determino que quero ser assim”) e ao motivo (“eu decido porque”). Estas relações implicam uma deliberação anterior à decisão.
Ou seja:
• Quero trabalhar numa ONG – intenção;
• Porque sempre quis ajudar os outros – projecto de vida;
• Porque sofri na pele a discriminação – motivo
Decisão: consiste na escolha que o indivíduo faz de uma determinada resposta, entre outras possíveis. A decisão conduz à realização do acto ou à abstenção.
Porque a decisão está voltada para o futuro, decidir comporta sempre uma margem de risco. Daí que não se decida de ânimo leve. A decisão é antecipada ou acompanhada de uma deliberação, inclui uma avaliação das possibilidades e consequências da acção. Contudo, há imponderáveis, há sempre a possibilidade de factores imprevistos que escapando ao agente, muitas vezes conduzem ao fracasso da acção.
EXECUÇÃO
Consiste em realizar a escolha e o “eu quero” da decisão. Prática ou abstenção do acto, a execução é prolongamento da decisão. Assim, decisão e execução são operações complementares, visto que quem executa é porque decidiu. Quem decidiu prova que decidiu, executando.
DELIBERAÇÃO
Consiste numa espécie de debate interno, que implica a ponderação das consequências dos nossos actos, à luz das nossas possibilidades, dos nossos limites, do nosso projecto de vida e do que queremos ver realizado no mundo.
Um exemplo de deliberação:
• Quero inscrever-me numa ONG, mas tenho que escolher entre o meu futuro imediato, que os meus pais me indicam, e o que gostaria de fazer;
• Se eu não escolher o caminho que os meus pais me indicam, sofrerei com isso, porque reprovarão toda a vida.
Deliberação: momento de hesitação, durante o qual o espírito examina o problema a resolver, pondera, pesa os prós e os contras, as vantagens e os inconvenientes de uma opção ou de outra.
Deliberação, que é a reflexão, significa a preparação mental do agir. Os animais inferiores face a uma situação complexa procedem por tentativas até obterem plena satisfação. Mas o homem através da reflexão, procede por experiências mentais, realizando em pensamento actos cujas consequências imagina. Ele procura prever os êxitos ou os fracassos, antes do acto praticado.
Exemplo:
Assalto feito a um banco
Agente: ladrão
Motivos: falta de comida
Intenção: ladrão querer assaltar o banco
Verifica se compreendeste
2. Das seguintes afirmações, indica as verdadeiras (V) e as falsas (F)
1.Estabelece a correspondência entre os conceitos da coluna A e os da coluna B
1.Acção
2.Decisão
3.Agente
4.Motivo
5.Deliberação
6.Projecto
A.Sujeito
B. Ponderação
C. Escolha racional
D. Acto humano
E. Razão
F. Intenção
2. Das seguintes afirmações, indica as verdadeiras (V) e as falsas (F)
1.Acção é tudo aquilo que o homem faz.
2.A decisão resulta de uma deliberação.
3.O motivo é a razão que esclarece a acção.
4.Quando o homem age voluntária e conscientemente realiza uma acção.
5.Uma acção deliberada é uma acção premeditada.
6.O sujeito é agente, mesmo quando espirra ou tosse.
7.A acção exige que o sujeito tenha uma intenção ou projecto.
8.O motivo é o “porque” da acção.
9.O projecto é o “quê” da acção.
10.A decisão pode ser uma escolha involuntária.


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